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Quem é Superbird, muscle car banido das pistas e que só tem dois no Brasil

Quem é Superbird, muscle car banido das pistas e que só tem dois no Brasil

Quando vencer corridas exercia relevante influência sobre o mercado de automóveis, as fabricantes se libertavam de limites racionais, lógicos ou orçamentários para ter nas pistas carros vencedores. Hà vários exemplos, da obsessão da Ford em vencer as 24 Horas de Le Mans, em meados dos anos 1960, à determinação da Audi em dominar o Grupo B do Campeonato Mundial de Rali, na década de 1980.

Outra que ignorou a razão foi a Chrysler, que buscou um engenheiro na sua divisão espacial (é isso mesmo, a fabricante de carros chegou a desenvolver foguetes) para derrubar a Ford no braço de ferro que disputavam desde 1964 na Nascar (na tradução, a associação nacional para corridas de carros de série; em outras palavras, a Stock Car americana).

Como motores poderosos não lhe faltavam, concluiu-se que a aerodinâmica seria o fator determinante para vencer. Daí que resolveram espetar no Dodge Charger 500 um prolongamento dianteiro em forma de cunha e uma hiperbólica asa de 60 cm na traseira, cujo topo ultrapassava o teto do carro.

Dodge Charger Daytona (Imagem: divulgação)

Nasceu então o Dodge Charger Daytona, ao lado do Ford Torino Talladega e do Mercury Cyclone Spoiler II um dos “Winged Cars” (carros alados) que dominaram a competição no fim dos anos 1960. Regras da Nascar determinavam que, para inscrever um bólido na categoria, era preciso homologar 500 deles para as ruas. Por isso trata-se de um modelo tão raro.

Dodge Charger Daytona (Imagem: divulgação)

Na Plymouth, a criação do Superbird teve outros caminhos. Além de ir para a disputa com uma receita já testada, a marca low cost da Chrysler reconquistaria Richard Petty, seu antigo piloto que debandara rumo à Ford em 1969. Até hoje maior vencedor da Nascar, com 200 vitórias no currículo, “The King” queria correr com um “Winged Car”, o que a Plymouth o negara.

Dodge Charger Daytona seguindo para os concessionários (Imagem: divulgação)

Pois a Plymouth criou o seu, então. Recorreu ao Road Runner e replicou os apêndices aerodinâmicos inventados pela “irmã” Dodge, mas com sutis alterações. Entre elas, uma asa traseira levemente mais inclinada para trás. As mesmas regras que levaram à produção de 500 exemplares do Daytona obrigaram a Plymtouth a produzir 1.920 Road Runner Superbird.

Plymouth Road Runner Superbird (Imagem: divulgação)

Além das cores vibrantes, o cliente podia escolher também a combinação de motor e câmbio. O mais manso era um 7.2 V8 de 375 cv, passando por sua versão de 390 cv, até o mais cobiçado, um 7.0 HEMI, de 425 cv. Câmbio manual de quatro marcas ou automático, de três.

(Imagem: divulgação)

Um decalque do Road Runner (para nós, Papa-Léguas) segura um capacete de corrida em uma mão e acena um adeus aos concorrentes com a outra.

De fato, os rivais ficaram para trás, pois Daytona e Superbird venceram a maioria das provas da Nascar em 1970. O título daquele ano ficou com Bobby Isaac, pilotando o Dodge.

Contudo, ambos não passaram de 1970: no ano seguinte a Nascar mudou as regras do regulamento, o que na prática barrava os “carros alados” (ou “aero cars”como também eram conhecidos) da competição.

Hoje, os valores pagos por um Superbird contradizem o fracasso experimentando no lançamento. Provavelmente pelo estilo um tanto exótico – aceitável numa pista de corrida, mas impalatável para as ruas -, o modelo encalhou. Muitas concessionárias chegaram a remover os apêndices aerodinâmicos, “convertendo” o Superbird num Road Runner convencional. Ou eram obrigadas a conceder descontos generosos sobre os cerca de US$ 4.298 pedidos pelo esportivo há 50 anos.

“Ninguém reconheceu o valor dele na época. Demorou a perceberem que o preço dos carros alados dispararia em algumas décadas. Assim, muitos deles foram vendidos, negociados, repartidos e assim por diante, perdidos na devastação do tempo”, analisa Steve Lehto, autor de Dodge Daytona and Plymouth Superbird: Design, Development, Production and Competition.

Em 2013, um deles equipado com motor HEMI e com 28.000 quilômetros rodados foi arrematado por US$ 165.000, em leilão da Gooding & Company.

No último dia 15 de janeiro, outro HEMI foi arrematado por US$ 533.500 – aproximadamente R$ 2,8 milhões – em leilão da Mecum.

Raro nos EUA e raríssimo por aqui, onde existem dois exemplares: um está neste momento em Águas de Lindóia para o Mopar Nationals; o outro atravessa um processo de restauro.

(Imagem: Rodrigo Mora)

 

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Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo, com passagens por Programa Auto+, iG, G1 e Folha de S. Paulo. Corre o mundo atrás dos lançamentos, o que já o levou a testar carros no gelo da Islândia e no deserto do Marrocos. No blog do VC, escreve sobre a tendência dos modelos populares, a convivência com os híbridos e elétricos e, claro, a história dos clássicos.
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