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Por que o Fusca ainda domina o mercado de clássicos 25 anos após seu fim

Por que o Fusca ainda domina o mercado de clássicos 25 anos após seu fim

Levantamento da OLX divulgado neste Dia Nacional do Fusca é praticamente uma antinotícia: “em 2020 sagrou-se, mais uma vez, líder isolado entre os automóveis clássicos mais procurados, anunciados e vendidos”. Segundo a plataforma, o ícone da Volkswagen deteve 25% das procuras, 24% dos anúncios e 24% das vendas no período. Tem sido assim há tempos, mesmo 25 anos após o encerramento de sua produção no Brasil.

Fusca Série Ouro marcou segunda despedida, em 1996 (Imagem: divulgação)

Entre os Fuscas mais vendidos na plataforma, os fabricados em 1975 foram os mais negociados, custando em média R$ 12,5 mil. Depois vêm os de 1970 e 1980, na média comercializados por R$ 22 mil e R$ 13 mil, respectivamente.

Quanto aos mais procurados, Opala e Chevette aparecem na sequência, com 18% e 7%; Gol e Chevette, com 6,5% e 6,4%, surgem depois do Fusca no ranking dos mais vendidos, e entre os anúncios Gol (6,1%) e Opala (5,4%) são segundo e terceiro colocados.

Outro estudo, este da Webmotors, mostra que o Fusca foi em 2020 o clássico de maior audiência na plataforma, respondendo por 21,7% do total de visitas a anúncios. Quem chegou mais perto foi o Opala, com 16,2%. Logo, Volkswagen e Chevrolet dominaram entre as marcas, detendo 28% e 25,8% da audiência.

Ainda de acordo com o portal: o estoque médio de Fuscas foi de 741 carros, 81% custavam até R$ 30 mil e 38% eram de 1970 a 1975.

Fusca 1.000.000 (Imagem: divulgação)

Mas por que o Fusca segue dominando o mercado?

“Porque ainda é o carro mais amado do Brasil”, simplifica Alexandre Lopes de Almeida, presidente do Fusca Clube. Para o colecionador José Geraldo, um bom motivo é que “todo mundo tem uma história com um Fusca. O avô teve, o pai teve, ou foi o primeiro carro. É um ícone mundial, e futuramente vai ser assim com o Gol também”.

Romantismo à parte, comerciantes são unânimes em confirmar que o domínio do Fusca no mundo digital se reflete na vida real.

“Sempre foi e sempre vai ser o número um. Às vezes a pessoa não tem R$ 60 mil, R$ 80 mil ou R$ 100 mil para dar num Opala, mas tem R$ 20 mil ou R$ 30 mil para dar num Fusquinha. Aqui na loja, se tiver dez em uma semana, vendo os dez”, explica Robson Cimadon, o ‘Alemão’ da Século XX, se referindo a modelos originais ou restaurados.

Considerando sua experiência, os mais desejados são os fabricados até 1969, os de 1971 a 1973 e os especiais, como Última Série (limitado a 850 unidades, lançado em 1986) e Série Ouro (que marcou a segunda despedida, em 1996).

“Essa é uma pergunta fácil de responder”, diz Ricardo Viana, da Old Is Cool Motors, pois “é um modelo de preço relativamente baixo. Encontra-se exemplares acessíveis, e mesmo assim não se perde valor. Se você comprar um de R$ 10 mil, daqui a cinco anos a tendência é ele valorizar, mesmo que pouco. No pior cenário você resgata os R$ 10 mil. Por isso é um mercado que continua aquecido, bom tanto para quem compra, tanto para quem vende”.

Henrique Mendonça, d’O Acervo, concorda que o Fusca é um acesso ao antigomobilismo, pois “é uma ótima porta de entrada: carismático, robusto, fácil de manter e barato. Além disso está muito envolvido com a história da popularização dos carros no Brasil. E por isso amarrado em ligação emocional com os brasileiros”.

Há outros dois fatores, segundo Viana. Um: veículos clássicos são opções de investimentos para quem procura diversificar, “porque além do prazer em ter um carro antigo, há um retorno financeiro”, e o Fusca é uma porta de entrada. Dois: tem se fortalecido o mercado de Fuscas mais raros e caros, como os modelos equipados com painel de jacarandá e as versões especiais.

E também os “Split Window”, como são chamados os primeiros exemplares, de janela traseira dividida – daí o nome, em inglês. Foi com esse estilo que as primeiras unidades do carro mais famoso do mundo desembarcaram no Porto de Santos em 11 de setembro de 1950, importadas pela Brasmotor – que, a partir de janeiro do ano seguinte, passou a recebê-los desmontados (no esquema CKD) e montava-os aqui.

Imagem: GG World Premium Classic Cars

Um desses, na GG World Premium Classic Cars, saiu por R$ 240 mil há dois anos. No entanto, Alex Fabiano, dono da loja, avalia que hoje um modelo neste naipe sai por R$ 350 mil. Outros modelos cobiçados e de maior valor agregado são os alemães e os das décadas de 1950 e 1960. “Devo ter vendido uns 20 no ano passado. É um carro indestrutível, versátil e com uma relação custo-benefício que jamais conseguiram bater”, analisa.

E o fato de o Fusca ter uma longa jornada no Brasil também conta, no entendimento de José Paulo Parra, da Circuito de Leilões: “há ainda muitas versões a serem exploradas. Ano passado, em Belo Horizonte, apareceu uma série especial que basicamente era um 1500 com cara de 1300, muito raro”.

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Rodrigo Mora

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo, com passagens por Programa Auto+, iG, G1 e Folha de S. Paulo. Corre o mundo atrás dos lançamentos, o que já o levou a testar carros no gelo da Islândia e no deserto do Marrocos. No blog do VC, escreve sobre a tendência dos modelos populares, a convivência com os híbridos e elétricos e, claro, a história dos clássicos.
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