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Por que a pandemia da Covid-19 aqueceu o mercado de clássicos

Por que a pandemia da Covid-19 aqueceu o mercado de clássicos

Prever o que a então estreante pandemia da Covid-19 faria com o mercado de automóveis era um tanto óbvio naquele começo de março. De fato, dois meses depois do início da quarentena os primeiros resultados catastróficos começaram a surgir, em destaque as quedas de 99% na produção e 77% nos emplacamentos.

Números oficiais sobre como 2020 terá encerrado sairão apenas em janeiro, mas os levantamentos de novembro apontam para prováveis 2 milhões de emplacamentos – e assim o estimado recuo de 25% parecerá um milagre diante dos 40% inicialmente previstos.

Então por que a pandemia da Covid-19 aqueceu o mercado de clássicos?

“Excetuando-se o período inicial, onde o pico das incertezas retraiu boa parte dos mercados, o que se viu depois foi uma migração para o mercado online. Os primeiros leilões ainda sofreram, mas depois de um tempo o sell-through (percentual de lotes vendidos) voltou a ser bastante forte”, analisa o colecionador André Rocha.

Ele conta que não comprou nenhum carro no período, mas vendeu um de sua coleção com “liquidez mediana” em três dias, o que é um forte sinal de mercado aquecido. “O fenômeno é parecido com o período pós-crise de 2008, onde o mercado de clássicos se aqueceu, principalmente nos EUA”, conclui.

Os resultados da Circuito de Leilões, dirigida por José Paulo Parra, validam o entendimento de Rocha.

“O mercado melhorou depois da pandemia. Estamos vendendo mais e por preços melhores. Os veículos estão atingindo valores altos, de mercado. Tivemos quatro leilões virtuais no segundo semestre que foram os melhores, tanto em percentual de venda quanto em ticket médio. Antes, os lotes arrematados chegavam a 46%. O último bateu 58%”, conta Parra.

Outro comerciante empolgado é Ricardo Robertoni, da Private Collections.

“Voltamos a vender desde os modelos mais baratos aos mais caros. Tivemos clientes novos, que entraram nesse mercado, e também os antigos colecionadores aproveitando as boas oportunidades que surgiram. Foi acima da expectativa, pois todo mundo esperava por um ano ruim”, explica.

As razões para o aumento da demanda variam de ponto de vista, mas, para Rocha, há dois motivos:

“Com a redução constante dos juros, investidores buscaram opções mais rentáveis de aplicação. E, nesse quesito, a valorização do carro antigo tem se mantido em destaque nos últimos anos, apenas variando um pouco entre as marcas. Soma-se a isso o fator psicológico que a pandemia trouxe. Muitas pessoas perderam amigos, ou contraíram o vírus e começaram a repensar suas prioridades, valorizando outras coisas, como realizar um sonho de juventude e aproveitar a vida”, reflete.

Concorda com ele Henrique Mendonça, d’O Acervo. “Há uma questão emocional filosófica trazida pela pandemia: as privações e a sensação de fragilidade despertaram em muitos a vontade de realizar antigos sonhos, como finalmente comprar aquele desejado clássico”, reflete.

Mendonça também detecta que “muitos dos clássicos colecionáveis têm cotação internacional. Antes a referência de preços considerava o valor do exemplar no exterior mais custos de importação. Agora os carros no Brasil chegam a estar mais baratos que lá fora, viabilizando inclusive exportação e atingindo mercados muito mais líquidos e maduros”.

Um outro fator, este comportamental, é levantado pelo educador financeiro José Vignoli: “Muitas pessoas que têm o hábito de viajar e não o fizeram destinaram aquele dinheiro para carros clássicos. A viagem para esquiar em Aspen virou um Porsche”, analisa.

Por outro lado, diz ele, muitas pessoas com problemas financeiros foram obrigadas a se desfazer de seus carros. Eis que surgiram então boas oportunidades, como aconteceu com Orestes Rodrigues de Freitas Neto.

“Aproveitei a pandemia para diversificar meus investimentos. Tirei um valor da renda fixa e coloquei tanto na Bolsa quando em ativo real, que são os carros antigos. E assim uni o útil ao agradável, já que gosto de modelos clássicos”, conta o bancário, que na semana passada comprou um Fiat Tempra Stile – durante a pandemia, a lista de aquisições incluiu um Chevrolet Monza Classic SE e um Ford Escort XR3, este já revendido.

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Rodrigo Mora

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo, com passagens por Programa Auto+, iG, G1 e Folha de S. Paulo. Corre o mundo atrás dos lançamentos, o que já o levou a testar carros no gelo da Islândia e no deserto do Marrocos. No blog do VC, escreve sobre a tendência dos modelos populares, a convivência com os híbridos e elétricos e, claro, a história dos clássicos.
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