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O dia em que Ney Matogrosso foi carona numa Variant e escapou de pane seca

O dia em que Ney Matogrosso foi carona numa Variant e escapou de pane seca

Para escrever Ney Matogrosso – A Biografia (Companhia das Letras, 512 páginas, R$ 89,90 e R$ 39,90 o e-book), lançada no último dia 23, Julio Maria conversou com quase 200 pessoas em cinco anos de pesquisa. Não é sempre que biógrafo e biografado estabelecem uma relação amigável (aqueles que detalharam a vida de Roberto Carlos que o digam), mas não foi o caso aqui. Entre os entrevistados estava o próprio cantor, com quem o jornalista esteve em sete ocasiões.

Ao final de um dos encontros, lá em 2019, Julio – que também é repórter do Caderno 2 e crítico de música do Estadão – ofereceu ao ex-vocalista do Secos e Molhados uma carona até o aeroporto de Congonhas. Assim, aplacaria a angústia do cantor com o motorista que o aguardava e ganharia tempo para, quem sabe, arrancar-lhe mais relatos e confissões.

Para Ney, a jornada teve um começo inusitado. “Não contei que era uma Variant. Quando o manobrista a trouxe, Ney me perguntou se aquele era mesmo o meu carro. Confirmei, e ele então deu uma risadinha e entrou”, revela o escritor, que faz questão de frisar que em nenhum momento o astro se sentiu desconfortável ou arrependido.

Tampouco esnobou um carro que, lá no fim dos anos 1960, foi a porta de entrada para famílias que precisavam de mais espaço e não podiam bancar modelos maiores ou mais luxuosos. Talvez porque ele mesmo tenha tido uma Brasília, parente direto da Variant, nos anos 1970.

Saíram, então, de um hotel nos Jardins (bairro nobre de São Paulo) rumo ao aeroporto pela ligação mais óbvia entre os dois pontos, a avenida 23 de Maio, especialmente apinhada de automóveis naquele fim de tarde.

Papo vai, papo vem, até que um taxista emparelha com o carro da dupla, pelo lado direito, e acena para o ilustre carona baixar o vidro da janela. Ney gentilmente atende o pedido, imaginando que dele viria uma declaração de fã, uma história pessoal cuja trilha sonora fora uma de suas músicas, uma pergunta sobre a carreira ou simplesmente um pedido de autógrafo.

Eis que o taxista lhe pede licença para dirigir-se ao motorista e dispara:

– Que ano é?

– 1971, responde Julio.

Parabéns!, devolve o taxista, se despedindo.

Julio e Ney se entreolham um tanto desconcertados e retomam a conversa. Logo após chegam enfim ao aeroporto, se despedem e o repórter pega o caminho de volta, rumo à sede do jornal.

Depois de rasgar a 23 de Maio no sentido oposto, passar pelo parque Ibirapuera e atravessar a avenida Brasil, Julio e sua Variant 1971 estão na Henrique Schaumann quando, de repente, o motor morre. Agora, a invertida vinha do marcador de combustível quebrado.

“Atravessei a rua até o posto no cruzamento com a Teodoro Sampaio para comprar um saquinho de gasolina, só pensando: que alívio que não foi com o Ney Matogrosso aqui dentro”, relembra o escritor.

Os dois se juntaram novamente na peruinha da Volkswagen para a série Na Variant com Julio Maria, em que o repórter entrevista celebridades da música enquanto passeiam por São Paulo.

Mas Ney Matogrosso nem imagina que escapou por pouco de uma pane seca, o que Julio pretende contar-lhe: “quero saber a reação dele e perguntar o que ele faria se estivesse comigo quando acabou a gasolina”.

Conte-nos quando descobrir, Julio.

 

Ney Matogrosso e Julio Maria na Variant, antes da pane seca (Imagem: Julio Maria / arquivo pessoal)
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Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo, com passagens por Programa Auto+, iG, G1 e Folha de S. Paulo. Corre o mundo atrás dos lançamentos, o que já o levou a testar carros no gelo da Islândia e no deserto do Marrocos. No blog do VC, escreve sobre a tendência dos modelos populares, a convivência com os híbridos e elétricos e, claro, a história dos clássicos.
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